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Até 2025, o mundo produzirá estimadamente 175 zettabytes de dados, os quais precisarão do suporte de uma completa infraestrutura de TI. Com os parâmetros atuais de crescimento, o consumo energético da infraestrutura digital será o responsável por 1/5 do uso global de energia.
A green4T acredita e promove a mudança de paradigmas, atrelando os conceitos de sustentabilidade e eficiência. Por isso, a empresa criará soluções de infraestrutura de baixa impacto energético, com PUE máximo de 1,5, para que, nos próximos 10 anos, a iniciativa possa reduzir 60% da energia consumida por todos os data centers na América Latina. A energia poupada neste processo poderá causar impacto de 67 TWh - energia suficiente para iluminar 3 milhões de residências.
Insights
Cidades Inteligentes
Gestão Colaborativa e Integrada da Segurança Pública
Ago de 2020
O terceiro episódio do podcast greenTALKS aborda a importância da gestão integrada na Segurança Pública. Que lições a pandemia nos deixa quanto à necessidade de estruturas de gestão mais colaborativas e eficientes para o combate e mitigação de crises? Quem responde é o nosso convidado especial, Coronel Osório, que integra a equipe de IoT & IoC Solutions, e a conversa é mediada por Fabiano Mazzei, jornalista da green4T. Você também pode ouvir a íntegra deste podcast no canal greenTALKS, no Spotify. Fabiano: Olá, seja muito bem-vindo a mais um greenTALKS, o podcast da green4T. Eu me chamo Fabiano Mazzei e sou jornalista da green4T. Hoje nós vamos falar sobre Tecnologia e Segurança Pública: os benefícios da gestão integrada de dados nas mais diferentes estratégias de segurança pública. Este podcast estará disponível no nosso canal do Spotify, o greenTALKS e também divulgado nas nossas mídias sociais. Nesta edição, vamos conversar sobre o tema com Coronel Osório, que é Gerente de Comando e Controle da área de IoT & IoC Solutions da green4T. Coronel Osório, muito prazer e muito obrigado pela presença. Osório: Eu que agradeço aos senhores pela oportunidade, é um prazer estar aqui, e estamos prontos para as perguntas e para essa conversa. Fabiano: Muito bem, Coronel Osório, vamos começar e já associo este tema à pandemia de Covid-19 que estamos vivendo. Na sua avaliação, de que forma a pandemia reforçou a necessidade de uma gestão colaborativa e integrada da Segurança Pública? E quais foram as lições aprendidas? Osório: Bom, podemos iniciar a dissertar sobre estas questões, mas primeiramente nós deveremos entender o conceito de "Segurança Pública". Eu vou me ater um pouco às definições. A Constituição Federal de 88, por definição, diz que: Segurança Pública é um dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem publica e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos órgãos: a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Civil e a Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militares. Porém, com o passar do tempo, como resultante da forma de convivência em uma sociedade entendida como democrática, passou a existir o entendimento de que a melhor estratégia para promover a segurança pública seja entender a segurança pública não simplesmente como uma função do estado, realizada por agentes públicos, mas como uma condição ou situação de fato, de convivência ordenada, pacífica e tranquila, em uma determinada comunidade ou sociedade. Ou seja, o que nós queremos dizer com isso? Que é necessário ampliar a participação da sociedade no planejamento, na execução e no controle das atividades da segurança pública, de forma que os cidadãos e as organizações da sociedade civil assumam sua parcela de responsabilidade na busca de solução dos problemas existentes no setor. Com esta abordagem, com esta nova visão, nasceu o conceito de Segurança Cidadã, o qual tem afinidade com o conceito de direitos humanos, distanciando-se de posições autoritárias anteriores. Então este é o cenário hoje, de Segurança Pública migrando para uma Segurança Cidadã. Uma visão diferenciada. Entendido isso, vamos então para a questão colocada pelo senhor. Focando na Segurança Cidadã, considerando o cenário da pandemia, identificou-se rapidamente que a principal 'força' de resposta ao problema não estava nas tradicionais forças de segurança e, sim, na Saúde. Posteriormente, no desenrolar da situação que foi sendo agravada, a outra 'força' a entrar em operação foi a da Defesa Civil/Bombeiros, no isolamento das áreas e no recolhimento dos corpos e, na sequência, houve a necessidade de serem definidas estratégias voltadas à Mobilidade da população em seus estados e municípios e a Polícia Rodoviária Federal nas estradas. Neste cenário pandêmico, as demais forças passaram a atuar nos problemas decorrentes, mas não menos importantes, gerados pela doença, tais como: situações como manutenção da ordem pública, elevado índice de corrupção (no caso dos hospitais, respiradores, medicamentos etc.), investigações da polícia civil, forças armadas etc. Neste campo de batalha, de dimensões nacionais (no caso do Brasil, continentais), onde existe um inimigo comum e diferentes forças de atuação – incluindo aí contingentes civis (como no caso da saúde) –, viu-se a necessidade de serem desenvolvidas ações coordenadas e planejadas dentro de objetivos comuns, sendo o principal deles a de proteção da população. Então, o que aconteceu: como em todo planejamento, viu-se a necessidade de serem implementadas linhas de ação conjuntas dentro de uma estratégia nacional única, onde as condicionantes variavam de região para região e a experiência existente para a ameaça identificada estava baseada em lições aprendidas de outros países – ou seja, condicionantes climáticas, sociais e econômicas bastante distintas das do Brasil. Então, neste cenário de crise nacional, acionados os meios necessários, exigindo uma grande coordenação, envolvendo vários atores em diferentes níveis de execução, foi identificado que as estruturas existentes, que teoricamente eram dadas como operacionais por seus respectivos gestores, demonstraram não estar totalmente aptas para a situação apresentada, pois além de faltar o necessário treinamento de seu pessoal orgânico, no que diz respeito às operações conjuntas ou combinadas em situação de crise extrema, as suas infraestruturas técnicas e sistêmicas não estavam implementadas para operar de forma correta dentro de um cenário tão complexo e interdependente. Como resultado, o que ocorreu? No curto prazo, passaram, então, a colapsar. Então, tendo estes fatos como verdade, gestores iniciaram ações visando a cuidar de seus respectivos cidadãos: fecharam suas fronteiras, municípios isolaram suas cidades, hospitais de campanha foram idealizados, regras de circulação foram impostas, ações de repressão a população foram determinadas, entre outras coisas. Apesar destas medidas, ficou patente a impossibilidade de uma gestão adequada, ficou evidente que as autoridades não possuíam uma estrutura implementada capaz de lhes proporcionar uma consciência situacional mínima para que pudessem tomar as suas decisões de forma adequada e no tempo correto – lhes faltavam informações, lhes faltava condições para a produção o conhecimento – não tinham inteligência. Então, visando superar esta deficiência, de forma emergencial, buscaram implementar ou ativar gabinetes de crise em seus diferentes níveis de gestão – e isto ainda está ocorrendo. Esta ação foi tomada, inclusive, em estados da federação beneficiados pelos Centros integrados de Comando e Controle – CICC , os quais foram implementados por ocasião da Copa do Mundo. Infelizmente, para alguns estados, embora existissem estruturas físicas para tal, foram identificadas dificuldades de uma coordenação única de suas forças de reação, não conseguiam operar de forma colaborativa, seus sistemas não estavam integrados – aí já incluindo a saúde, mobilidade, defesa civil, polícia militar e demais atores. Esta falta de gestão colaborativa e capacidade de pronta reposta, motivada principalmente pela falta de integração entre seus órgãos, redundou em perda de tempo, material e, pior, em vidas humanas. Neste quadro, agora indo para a segunda parte de sua pergunta, quais foram as lições aprendidas? Por estes problemas constatados, pela perda de vidas, algumas identificadas, como desnecessárias, perdas econômicas, perdas logísticas, com recursos mau empregados e sem o controle devido, ficaram evidentes dois pontos: Primeiro, a necessidade de serem implementados mecanismos de gestão integrada e colaborativa, nos diferentes níveis da federação, a fim de permitir, respeitados os direitos constitucionais e de independência entre os estados, uma gestão em nível de país – uma visão verticalizada –, quando da existência de uma crise que extrapole fronteiras. Mecanismos não apenas voltados à segurança publica, como os já existentes, mas sim voltados a Segurança Cidadã. É uma outra visão, como explicamos anteriormente. Neste cenário, foi constatado que a segurança do cidadão não está restrita a, apenas, ao Estado, mas tem que ser uma responsabilidade de todos, incluindo o próprio cidadão como corresponsável. Temos visto que o próprio cidadão, não respeitando as regras, ele está potencializando o problema que está se apresentando. E como segundo ponto: que para esta integração sejam ativados e ou implementados, nos estados e município, ambientes integrados de gestão, que realmente tenham por objetivo possibilitar que suas forças operem de forma integrada e colaborativa, quando o problema assim o exigir, e que permitam, se e quando necessário, uma coordenação nacional, através de uma integração vertical com o governo federal, gerando os mais variados tipos de dados com o objetivo de permitir que se tenha uma real consciência situacional do problema apresentado, seja ele de qualquer natureza. Esta é a primeira visão, acredito que tenha respondido a sua questão. Fabiano: Sim, respondeu plenamente, obrigado. Sendo um pouco mais abrangente agora, na sua visão, quais as iniciativas que precisam ser desenvolvidas para uma melhor gestão integrada da Segurança Pública? Osório: Bem, vamos considerar este cenário que falamos anteriormente então. Considerando isso, ficou patente que será necessária uma nova abordagem. A forma como estamos procedendo, como o País está respondendo, precisa de uma abordagem moderna. E agora, dentro de um contexto, sob a ótica da Transformação Digital. Por ocasião da criação dos Centros de Comando na Copa do Mundo, os chamados CICC**, e de outras iniciativas no mesmo sentido, este contexto da Transformação Digital ainda não estava bem delineado, não estavam bem entendidos os seus conceitos que, à época, ainda eram insipientes. Hoje, este entendimento está enraizado e com seus conceitos bem entendidos onde centros integrados passaram a ser chamados de Centros de Operações Inteligentes - o IoC. Porém, apesar deste entendimento, ainda vivenciamos barreiras, principalmente na área governamental, quando ainda não existe a percepção de que a transformação digital não é o simples processo de agregar novas tecnologias. É necessário que haja um entendimento que se tenha a consciência de que se trata de uma mudança realmente profunda e significativa, ou seja, é uma disrupção em relação à operação da forma como a conhecemos, é uma passagem - podemos dizer - para um novo mundo. Para qualquer evolução em termos de crescimento, onde a tecnologia tenha um papel fundamental, é importante que se entenda que a transformação digital envolve uma mudança estrutural nas organizações governamentais em qualquer nível (Federal / Estadual / Municipal). E para que isto ocorra, obrigatoriamente algumas barreiras culturais deverão ser quebradas para que as instituições possam mergulhar nessa revolução. Urge que se tomem medidas práticas para fazê-la acontecer. Podemos exemplificar: Seguir um planejamento considerando que a mudança é estrutural, e não apenas operacional; Redefinir a estratégia do órgão para o mundo digital; Desenvolver expertises, conhecimentos, para conduzir essa transformação; Reavaliar os processos operacionais para serem suportados por este novo mundo digital e, neste caso, importantíssimo considerar as lições aprendidas durante a pandemia, ou seja, é necessário estar pronto para operar de forma integrada e colaborativa. Isso foi um fato, constatado, ficou evidente. Neste contexto, com a experiência adquirida, principalmente na esfera governamental, importante que novos projetos envolvendo Centros (IoC), estejam aptos a executar operações conjuntas ou combinadas. Para que se tenha sucesso na construção destes modernos ambientes, necessário se faz entender os conceitos deste novo mundo digital e como se beneficiar dos mesmos. Para isto, o modelo deverá, primeiramente, considerar o conceito de computação de borda – Edge Computing –, já que o IoC tem como objetivo primário a gestão da operação. Esta decisão torna-se imperativa, considerando que as forças de reação operam em tempo real, é uma nova visão. Este conceito deverá ser muito bem entendido e utilizado na construção da solução, visto que esta prática minimizará a queda da transmissão e auxiliará, entre outras coisas, na manutenção dos serviços digitais, já que os seus dados deverão ser processados e armazenados em um servidor localizado no mesmo espaço onde foram gerados, minimizando a latência. Neste cenário digital, a tecnologia não pode ser mais entendida apenas como um meio de otimizar as operações, automatizar processos, reduzir erros e custos, registrar e integrar dados, organizar a logística. Ela não pode ser vista apenas como um auxílio operacional, mas como uma ferramenta fundamental para a gestão e a tomada de decisões. Para a construção dos modelos de solução envolvendo Centros de Operações Inteligentes (IoC) deverão ser consideradas conceitos como, por exemplo, o de Inteligência artificial, o de Internet das Coisas (IoT) – onde objetos físicos (sensores) são capazes de reunir e transmitir dados capacitando a produção do conhecimento, possibilitando, então, a formação de uma consciência situacional real. Com o avanço da transformação digital, a forma de trabalhar mudou radicalmente e, com a pandemia, isto ficou muito mais do que provado. E aí, acredito, novamente segundo momento da sua pergunta, eu não me estenderia mais. Fabiano: Excelente, Coronel. Bem, nesta síntese sobre o tema que o senhor nos deu, quais seriam os benefícios para o Estado e para os cidadãos? Osório: Ok, vamos lá, se o senhor permitir, nós estaremos partindo para uma conclusão, dentro do contexto que foi dito. O tema é extenso, podemos falar aqui durante muito tempo, mas vamos a uma conclusão. Apesar de ser identificada a falta de capacidade de uma gestão adequada de diferentes forças de reação em operar de forma integrada e colaborativa em operações conjuntas ou combinadas, em diferentes níveis da federação, uma crise extrema, houve um resultado positivo. O evento pandemia, vamos chamar assim, motivou às autoridades a revisitarem as suas estruturas e respectivos mecanismos gerenciais voltados à gestão de crise. Fez com que revissem seus conceitos para a revitalização ou construção de Centros operacionais considerando, não só o conceito de centros de operação inteligentes (IoC), como também considerando os modernos conceitos advindos da transformação digital. Desta forma, se bem conduzidas estas ações de agora em diante, entendemos que esse benefício ele será não só para as organizações, mas para a população em geral. Dessa forma, nós teríamos um futuro bem delineado: com muito trabalho, com muita responsabilidade, mas com uma visão totalmente diferenciada daquela que, até então, tínhamos. Porque fomos testados e algumas coisas não funcionaram. Fabiano: Muito bem, nós conversamos aqui com o Coronel Osório, da equipe de IoT & IoC Solutions da green4T sobre a aplicação eficiente da tecnologia e da gestão integrada de dados nas políticas de segurança pública. Coronel, muito obrigado por compartilhar os seus conhecimentos conosco. Osório: Olha, mais uma vez eu agradeço a gentileza do convite, e permaneço à disposição para uma nova rodada se os senhores assim necessitarem. Foi um prazer realmente e muito obrigado. Fabiano: Então é isso, convido você a continuar acompanhando os podcasts da green4T aqui no Spotify e também outros conteúdos relevantes sobre a indústria de TI nas mídias sociais e no site da green4T. Nós esperamos que você tenha gostado desta conversa e agradecemos a sua audiência. Muito obrigado e até o próximo episódio!
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Cidades Inteligentes
Uma campanha green4T: Painel para todos
Jul de 2020
1. A pandemia e as novas dinâmicas Desde dezembro de 2019, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera ter sido registrado o primeiro caso de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, o mundo se viu em um estado disruptivo. Países inteiros se colocaram em confinamento, fronteiras se fecharam. Relações sociais e de trabalho se transfiguraram. E, pelo caráter altamente transmissível da doença, as regras de convivência tiveram de se alterar profundamente. A transmissão da Covid-19 se dá pelo contato próximo com pessoas infectadas. O toque das mãos é o principal veículo para o novo coronavírus, mas gotículas como as da fala, da tosse e do espirro são altamente contagiosas, assim como o toque em superfícies contaminadas. Além disso, indivíduos infectados, mas assintomáticos, também podem transmitir a doença. Com um poder de transmissão tão intenso, as medidas de prevenção devem ser adotadas por todos os cidadãos, sem exceções, e devem ser rigorosas. O distanciamento social é uma das principais delas. Não é possível prever, com precisão, quanto tempo a ciência levará para encontrar um tratamento e uma vacina eficazes contra a Covid-19. Um estudo da Universidade de Harvard, publicado em abril deste ano, chega a apontar a necessidade de quarentenas intermitentes até 2022 para a contenção do vírus. Até lá, enquanto não for seguro retomar as atividades em sua totalidade, as aglomerações terão de ser evitadas; grupos de risco, protegidos; ações preventivas deverão ser tomadas.
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Edge Computing
Edge computing: solução ideal para o 5G?
Jul de 2020
O anúncio da criação da tecnologia 5G pelos sul-coreanos em 2013 gerou uma enorme expectativa no mundo sobre os benefícios que esta nova banda larga - mais ampla e muito mais veloz - poderia oferecer para a vida das pessoas e das empresas. Afinal, trata-se de uma transmissão de dados com velocidade, de upload e download, entre 10 e 20 vezes superior ao 4G atual, o que diminui drasticamente a latência das respostas. Além disso, a rede 5G promete uma conexão de sinal mais estável e cobertura mais ampla, por utilizar melhor o espectro de rádio, permitindo que mais dispositivos estejam conectados ao mesmo tempo.
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Sustentabilidade & Eficiência energética
Data centers carbono zero - Episódio 2
Jul de 2020
O alinhamento da indústria mundial de TI às boas práticas sustentáveis a fim de reduzir as emissões de gases do efeito estufa é o tema do segundo episódio do podcast greenTALKS. A adoção de data centers carbono zero, que atuam sobre o alto consumo de energia elétrica e no uso eficiente de recursos como a água para o resfriamento dos sistemas foi defendido por Alexander Monestel, CEO da DCC Costa Rica - uma empresa green4T. Para além da questão ambiental, este tipo de estratégia sustentável representa uma imensa vantagem financeira ao operador do data center, com uma redução de até 50% de seus custos. Confira toda a conversa à seguir, que foi mediada pelo diretor Comercial e de marketing da DCC, Berny Guzmán. Berny Guzmán: Ok, perfeito, vamos começar. Olá, espero que você esteja bem, meu nome é Berny Guzmán. Trabalho na DCC Costa Rica, uma empresa green4T. Hoje vamos falar sobre o Data Center Carbono Zero, este podcast estará disponível em nosso canal no Spotify, greenTALKS, em nosso canal do YouTube e será publicado nas redes sociais e Whatsapp. Nesta sessão, teremos uma conversa com o Sr. Alexander Monestel, que é o CEO do Data Center Consultores (DCC) da Costa Rica. Olá Sr. Alexander, como você está? Alexander Monestel: Olá, muito prazer de estar com vocês e compartilhar assuntos tão interessantes e relevantes para todo o setor da indústria de tecnologia e data centers; e a revolução digital que hoje em dia estamos vendo em pleno andamento. Muito feliz em compartilhar com vocês. Guzmán: Sim, claro, e Sr. Alexander e entrando um pouco no assunto, você poderia explicar mais sobre o conceito de um data center carbono zero? Monestel: Sim, é claro. Primeiro, vamos entender um pouco do contexto onde nasce a ideia de um data center que aponte para neutralidade de carbono ou de emissão zero de gases de efeito estufa e isso tem muito a ver com o problema das mudanças climáticas que tem sido um dos temas mais discutidos e tratados nos últimos 10 anos. Obviamente, à medida que avança o problema do aumento da temperatura pela contaminação por gases do efeito estufa, eleva-se os níveis dos oceanos e os efeitos derivados das mudanças climáticas. Assim, os países, as empresas e as pessoas vêm tomando consciência e, então, ao final dos estudos dos cientistas, eles apontam que não conter os efeitos e as complicações das mudanças climáticas pode nos levar ao final do século a uma situação realmente caótica de aumento da temperatura no Oriente de até 4°C e isso implicará no aumento do nível dos oceanos - que podem mover-se na faixa de 1 a 10 metros -, com a qual muitas das cidades e áreas costeiras do mundo como a conhecemos hoje desaparecerão. Isso só para citar alguns problemas, mas existem muitíssimos outros problemas relacionados a escassez de água, aumento e frequência de tempestades elétricas, aumento da intensidade e frequência de fenômenos catastróficos como furacões, ciclones, inundações e problemas de seca muito severos em grandes áreas do globo terrestre que levará a migrações populacionais muito significativas, aumento da pobreza em todo o mundo e etc. Então, na verdade, o que se espera de não fazer nada é um cenário muito muito complicado para todos os habitantes do planeta. Nesse sentido, as Nações Unidas têm liderado o esforço de organizar todos os países no intuito de reduzir as emissões de gases do efeito estufa e isso nos leva precisamente ao conceito de um data center carbono zero. Ele busca precisamente alinhar a indústria de tecnologia - e, particularmente, a indústria de data center - neste mesmo contexto, ou seja, como essa indústria se desdobra em esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa para atingir as metas estabelecidas daqui a 2050 como primeira etapa, e um curso adicional no final do século onde, em princípio, se alcance uma compensação total pelas emissões de gases de efeito estufa. Portanto, um data center carbono zero é um data center que visa estar 100% alinhado com a estratégia global de não emissão de gases de efeito estufa na atmosfera ou compensando os gases de efeito estufa que estão gerando. Guzmán: Sr. Alexander nos deixa bem claro o conceito geral, mas talvez muitas dessas pessoas sejam proprietários de um data center e estejam se perguntando especificamente qual é o benefício obtido com a aplicação desse tipo de certificação, por exemplo, em uma infraestrutura de missão crítica. Você poderia falar um pouco sobre isso? Monestel: Claro. Primeiro, precisa-se entender se realmente o setor de tecnologia ou particularmente a indústria de data center adiciona algo à equação do total de gases de efeito estufa produzidos globalmente. Há um estudo realizado da McMaster University, onde eles trataram precisamente de mapear o impacto do setor de TI em nível global na questão das emissões de gases de efeito estufa. O interessante é que, em 2007, o setor de TI - e o total, não apenas de data center, mas tudo o que tem a ver com tecnologia da informação - gerou apenas 1% de todas as emissões de gases de efeito estufa. Então, realmente o seu impacto era muito pequeno. No entanto, todas as projeções que foram atualizadas ano a ano apontam para que, hoje, a contribuição total seja três vezes maior da que foi gerada em 2007, quando o estudo começou. E, mais grave ainda, a projeção para 2040 é de que o setor de TI representará cerca de 14% do total das emissões de gases de efeito estufa. E isso, de fato, representa metade (da emissão de gases gerada) do setor de transporte mundial, de modo que é uma questão muito importante. E por que este aumento exponencial? Basicamente, tem muito a ver com todo o processo de transformação digital. Então, o primeiro motivador para um gerente de TI é: você quer que a sua indústria de TI seja sustentável ao longo do tempo? Ou você quer que seja insustentável? Portanto, a resposta deve ser sim. Obviamente, quero que minha indústria possa seguir se desenvolvendo, quero apostar em sistemas confiáveis totalmente sólidos, com comunicação em tempo real, com a incorporação de todas as tecnologias que vêm associadas às redes 5G... Claro que, como gerente de um data center, eu vou querer isso. Mas para garantir que isso seja possível, é necessário que o setor de TI tome consciência de que o seu impacto nas emissões de gases de efeito estufa será tal que, se medidas compensatórias não forem tomadas, provavelmente em algum momento isso possa significar um freio no desenvolvimento da indústria de TI como a conhecemos. Porque não há uma forma de equilibrar o crescimento do setor de TI e o impacto prejudicial que isso terá sobre o meio ambiente. O outro eixo motivador que não é desprezível tem a ver com a economia dos custos operacionais de um data center. Está mais do que demonstrado que um dos componentes que mais pesa na operação é o consumo de energia elétrica, que pode representar até 40 ou 50% dos custos operacionais totais. Quando isso implica em um esforço para levar o data center ao carbono zero, não se está fazendo outra coisa que, dentro de uma série holística de medidas, buscar que este data center seja muito eficiente no consumo. Nossa experiência mostrou que posso obter economia em eficiência energética da ordem de 30% a 40% e até 50%, dependendo do nível de agressividade que você deseja tomar. Portanto, 50% na redução da conta de energia elétrica de um data center, é muito, muito dinheiro, e é um benefício que chega direto à operação do centro de dados. Finalmente, há outro aspecto que não deixa de ser relevante. Muitos dos data centers existentes no mundo, especialmente os grandes, usam a água como um recurso para resfriar os seus sistemas críticos. Então, e precisamente associado a todo o problema da questão da mudança climática, um dos recursos que se espera tornar escasso é o recurso hídrico. Existem muitas áreas do planeta - na América Latina, na Europa na Ásia e na África -, que já estão identificadas ou mapeadas como áreas com alto estresse em termos de disponibilidade de recursos hídricos. Assim, do ponto de vista da estratégia de sustentabilidade, um data center que aposta em um enfoque de sustentabilidade ambiental também deverá desenvolver estratégias que permitam, por exemplo, reduzir os riscos e vulnerabilidades que virão nos próximos anos associados à limitação de acesso a água potável. Enfrentar os problemas se traduzirá em medidas de mitigação que reduzam o risco do data center ficar fora de operação, porque eles não tem acesso a recursos hídricos suficientes, por conta de um colapso do sistema público de abastecimento de água sem que haja sistemas de backup para alimentar as torres de resfriamento. Portanto, há uma série de valores que vão além do elemento, digamos, clichê de uma certificação. Na realidade, veja que não mencionei a palavra certificação, que poderíamos dizer que nos dá um quarto ponto positivo: hoje, a nível global, as empresas que se comprometem com o tema da sustentabilidade acabam sendo favorecidas ou privilegiadas pelo público ou pelos usuários. De fato, há um material abundante de estudos realizados pelo Uptime Institute - para citar um, a pesquisa 451 - que identificou que muitos dos gerentes de TI em todo o mundo têm privilegiado colocar os seus servidores em data centers comprometidos com questões de sustentabilidade. Estes seriam os quatro benefícios que eu identifico claramente na questão de apostar neste tipo de esforço. Guzmán: Claro e, no final, torna-se uma vantagem competitiva comercialmente verdadeira. Sr Alexander, esse conceito também se aplicaria à infraestrutura existente ou a novos data centres ou a ambas as opções? Você poderia explicar um pouco este assunto? Monestel: É importante esclarecer que este conceito não é uma ferramenta exclusiva de vendas ou de marketing para um determinado nicho, um certo tipo de data center. Na realidade, antes de tudo, é uma proposta totalmente alinhada com o que pedem as Nações Unidas, organizações tão prestigiadas quanto o US. Green Building e todos os tipos de organizações envolvidas em sustentabilidade. Sendo assim, evidentemente, tem de ser um marco conceitual que seja acessível a todos os tipos de empresas e todos os tipos de data centers. Respondendo concretamente a pergunta, isso funciona para data centers novos que estão em processo de desenvolvimento e, mais importante ainda, é totalmente funcional para os data centers que já existem e foram concebidos e projetados há 5, 10, 20, 30 anos atrás. De fato, o verdadeiro valor dessa ideia de transformar um data center em carbono zero é abrir as portas para centros que foram pensados no contexto de uma época em que a eficiência e a sustentabilidade não eram importantes. Poder trazê-los a valor presente, então, é totalmente viável. Na verdade, eu diria que é mais pensado a estas infraestruturas antigas, arcaicas ou, digamos, pouco eficientes, para que sejam trazidos ao valor presente. Vamos pensar que a maioria dos data centers que estão operacionais - ouso dizer - são centros de dados que foram concebidos nos anos 80, 90, incluindo alguns nos anos 2000. E, nestas épocas, a prioridade número 1 de toda essa infraestrutura era a alta disponibilidade. A questão da eficiência e sustentabilidade era uma questão totalmente irrelevante - e estamos falando que isso pode representar 50%, 60% ou talvez 70% de todos os centros de dados que estão operacionais hoje no planeta. Então, jamais poderíamos dizer que para poder cumprir com os objetivos do combate às mudanças climáticas, teríamos que desligar todos estes data centers e começar do zero, porque isso seria materialmente absurdo. Portanto, evidentemente, esses tipos de esforços são projetados e orientados a recorrer a todos esses data centers que já estão operando e dizer-lhes que podem remodelar a infraestrutura e se colocarem em dia com os objetivos de eficiência e sustentabilidade. Guzman: Perfeito, bem, tudo soa muito bem, Sr. Alexander, mas é importante fazermos uma pergunta - e sei que muitos dos que estão ouvindo estão interessados no assunto e querem saber. Fale-nos um pouco dos custos: quanto me custaria, como proprietário do data center, optar por esse tipo de certificação? É muito caro? Conte-nos um pouco. Monestel: Bem, volto a insistir. A questão da certificação é como a cereja do bolo. Na verdade, eu vejo esse tema, nesta rota crítica a primeira coisa que uma organização deve considerar é: eu quero me alinhar aos objetivos de lutar contra as mudanças climáticas que meus governos e governos de todo o planeta (estão fazendo)? Quero fazê-lo agora, com tempo suficiente relativamente? Ou estou esperando ser forçado a fazê-lo? Através do que: políticas estatais, impostos sobre carbono, penalização de infraestrutura ineficiente... Ou seja, essa reflexão é importante, não é voluntária, não é uma questão do que eu adoraria fazer porque tenho mil prioridades. É uma questão que, mais cedo ou mais tarde, atingirá todas as organizações. Portanto, nossa recomendação é que a primeira coisa seja descobrir o quão avançado seu país está, particularmente, em termos de adoção de uma política de combate às mudanças climáticas e, com base nisso, tratar de tomar essas decisões de migração de maneira antecipada porque são mudanças que, mais do que o custo, tem a questão do tempo, já que com um data center em operação não é tão simples, não é um assunto que pode ser realizado da noite para o dia. Tem de haver uma proposta para avaliação da infraestrutura, diagnóstico, análise de oportunidades, quais são as estratégias mais viáveis e depois, claro, todo o exercício de projetar suas estratégias e implementá-las. Então, creio que a primeira reflexão é que não é um tópico opcional, é uma questão de quando serei forçado a adotá-lo. Esta necessidade pode acontecer muito em breve, dependendo da rapidez com que o país em que o data center está lida com as questões de mudança climática. Por exemplo, países como a Costa Rica, que lideram o debate da mudança climática, há atualmente legislação ou regulamentação que estão estimulando o movimento em direção a uma infraestrutura de carbono zero. No entanto, em algum momento, teremos medidas não de incentivo, mas de punição e penalidade. Por isso, é importante considerar que, observando o exposto acima, na verdade existem dois esforços para esse objetivo de se tornar um data center carbono zero. O primeiro esforço é realmente pensar e identificar oportunidades. Definir custos é realmente muito difícil, porque isso tem todas as variáveis que se pode imaginar, dependendo do tamanho do centro, a capacidade em kilowatts (kW) desse data center, dos objetivos que eles desejam atingir. Existem data centers que adotam medidas muito mínimas, outros apostam em medidas muito mais agressivas como, por exemplo, a implementação de toda a energia gerada pelo data center com base em energia limpa. Portanto, a gama de custos pode ir de valores pequenos como US$ 10.000 por ano a esforços muito mais significativos, da ordem de várias centenas de milhares de dólares, dependendo, repito, do tamanho da infraestrutura e da ambição do processo de transformação. Isso é muito difícil de medir, a menos que cada caso específico seja visto pontualmente, para o qual, digamos que o procedimento correto seja o diagnóstico do data center e, com base nisso, seja possível estimar o esforço que, repito, pode ser mover-se nesta gama de US$ 10 mil a vários milhares de dólares - US$ 40 mil, US$ 50 mil, dependendo do que você deseja fazer. Agora, quanto ao esforço de certificação, o custo é realmente muito simbólico, porque a maioria das entidades certificadas não pretende lucrar com o custo da certificação. Estamos falando de organizações como ISO, organizações como a US Green Building, portanto, os custos de certificação não superam, no pior dos casos, a US$ 5 mil, US$ 7 mil, dependendo, repito, o tamanho do edifício, do bunker do data center. O maior esforço está no retrofit de sua infraestrutura, porque é muito importante também quando falamos sobre isso entender que os retornos de investimentos associados a essas transformações são muito, muito positivos. Temos muitas informações que confirmam que a maioria das medidas para transformar um data center ineficiente em um centro sustentável de carbono zero tem um retorno do investimento de menos de cinco anos. Ou seja, é como dizer que o que você economiza - US$ 10 mil, US$ 5 mil, US$ 7 mil, US$ 8 mil - com apenas com o consumo de energia, de água e de outros elementos das operações do centro de dados, praticamente todas as medidas se pagam em menos de cinco anos. Temos feito estudos com os data centers que nós mesmos projetamos onde medidas mais agressivas, como o suporte de painéis fotovoltaicos e geração de energia nos locais, pagará totalmente o investimento em um intervalo de menos de sete anos. Então, aqui, realmente a questão do investimento deve ser vista de todas essas arestas, não apenas da margem de quanto dinheiro me custa. E, o mais o mais importante, é que vou ter que fazer isso. Além de ter um retorno deste investimento em prazos bem curtos. Guzmán: Sim, é claro, e também há um retorno sobre o investimento social e ambiental que acredito ser muito importante para esses tempos. Já estamos terminando o podcast, Sr. Alexander, muito obrigado por explicar esse tipo de solução. Muito interessante. Monestel: Com muito prazer, é realmente um tema que está se tornando cada vez mais válido e que veremos com mais intensidade nos próximos meses e anos, sobretudo se prestarmos muita atenção às redes sociais no contexto da pandemia de Covid-19. Existem mensagens muito fortes, muito contundentes, especialmente de países europeus que falam de um conceito usado até pelo Fórum Econômico Mundial, sobre uma grande redefinição ou reinício da economia global, apostando em um processo muito mais acelerado de migração até a uma economia verde totalmente sustentável. Então, creio que veremos, quando passarmos por essa situação complicada, muitas iniciativas em nível global na linha de acelerar os processos de migração em direção a essa neutralidade de carbono. Berny: Perfeito, muito obrigado também a todos que nos ouviram, em breve teremos outra edição com outros assuntos interessantes. Cordiais saudações a todos e obrigado por se juntarem a nós.
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